Como saber o que é preciso ser feito?

Foto de Tim Mossholder na Unsplash

Como saber o que é preciso ser feito?

Para uma Instigante pergunta, uma resposta ultrarrápida, controversa e talvez um pouco frustrante: a gente sabe o que é preciso ser feito.

É, a gente sabe. Pelo menos isso é o que propõe a filosofia socrática/platônica quando afirma que o conhecimento já está dentro de nós. Só que, muitas vezes a gente não sabe que sabe, e acessar esse saber é que são elas.

Então, vamos tentar discutir algumas possibilidades para esse acesso:

Pensamentos podem ser pura sabedoria, mas a maioria é distração. E todos voam e se desdobram a uma velocidade impressionante, e como nem tudo é efetivamente utilizado para nossa vida, eles meio que se amontoam na mente como numa gaveta da bagunça. Desse modo, para encontrar o melhor pensamento, ou aquele que precisamos para resolver um problema, é necessário tirar da frente o que não é ele.

Como exemplo, imagine que eu preciso encontrar meu documento de identidade, tirar uma foto e enviá-la ao banco para que eles aprovem minha transação importante daquele dia. É uma tarefa urgente, mas não encontro meu RG.

Pode parecer óbvio, mas vou dizer assim mesmo, toda tarefa, que é também um processo e de certa forma um projeto, exige a definição de três pontos básicos que eu gosto de usar:

  1. a viagem,
  2. o destino da viagem,
  3. e porque eu estou fazendo essa viagem.

ENTÃO TEMOS O PROBLEMA:

Sem ler o próximo parágrafo, tente definir os dois primeiros pontos para a tarefa de “encontrar o meu RG”. A dica é: tente usar um verbo de ação para a viagem e um estado ou resultado para o destino.

SOLUÇÃO:

Para “encontrar o meu RG” a viagem é… Procurar! Eu preciso procurar meu RG. Só assim vou encontrá-lo. Se você achou que a viagem era encontrar, saiba que uma grande parte dos gestores também pensa assim, mas, lamento, está incorreto.

A próxima definição é “qual o destino da viagem”, ou seja, quando eu procurar meu RG qual o resultado ou destino esperado? Agora, sim, o destino é que eu tenha meu RG encontrado! Muitos vão dizer, tirar a foto e enviar ao banco, mas isso não é nem o estado, nem o resultado direto da viagem. É o que vem depois, se tudo der certo. Embora muitos de nós pensemos assim, isso é pular etapas.

Até aqui tudo bem, certo? Só que o tempo está passando e eu ainda não consegui resolver o meu problema. Não achei o tal documento em nenhuma das gavetas da bagunça que tenho em casa e aí me lembro da terceira definição importante: Por que estou fazendo essa viagem? E a resposta é: porque o banco precisa de uma foto do meu documento de identidade.

Pois é. É nesse momento que me lembro de expandir meu pensamento e olhar novamente o formulário que estou preenchendo no site do banco. E lá vejo que há um ícone de ajuda dizendo que eles consideram RG, CPF, CNH e passaporte como documentos de identidade. A CNH eu tenho na minha carteira que está a um metro de distância. Então, pronto. Pego a CNH, tiro a foto, envio e finalmente o problema foi resolvido.

Tarefas, processos, projetos, são sempre iniciativas que nos levam para alguma direção, por isso gosto de usar os termos viagem e destino. Mas também gosto de fazer essa brincadeira com a palavra viagem porque parte das primeiras ideias que temos para resolver problemas acaba se mostrando desnecessária, fora de lugar ou uma ilusão mesmo, uma viagem de quem pensou.

Mas como nem sempre temos esse olhar abrangente logo de início, convido sempre a nominar a viagem e o destino da viagem, e acima de tudo, fazer a pergunta: por que estou fazendo essa viagem? Ela é essencial e pode evitar muito trabalho.

Mas, voltando ao problema deste texto, como saber o que é preciso ser feito: eu sugeri que já sabemos, e só precisamos encontrar na gaveta da bagunça mental a resposta correta, sem deixar de se perguntar primeiro por que estou fazendo essa viagem?

Será que dá certo?

Fiquem à vontade para comentar ou fazer perguntas, colocar problemas de seu dia a dia para analisarmos juntos e também para não concordar!

Até breve,

Guida Ribeiro