Se quiser evoluir, você pode.

Foto: Suzanne D. Williams

Escolhas

Gosto de utilizar um pensamento que para mim é muito prático: há sempre dois caminhos para se escolher em qualquer atitude que tenhamos na vida, um é o caminho da evolução ou progresso, e o outro é o caminho da involução ou retrocesso. Se você quer evoluir, você pode escolher o caminho da evolução. É isso. Tudo se trata de escolhas e sempre há essas duas.

O curioso é que a maioria das vezes nossa mente irá nos propor a escolha do caminho da involução, não porque somos falhos ou bobos, mas sim porque parece lógico.

No dicionário, evoluir é transformar-se e involuir é regredir. Então, evoluir é transformar-se em direção ao progresso, e involuir é retroceder. Progresso, por sua vez, tem a ver com desenvolvimento e aperfeiçoamento, e aperfeiçoar-se é o mesmo que buscar perfeição para si. Assim, é possível dizer, então, que evoluir é transformar-se buscando perfeição, e, o contrário disso, involuir, é regredir, retroceder, regressar, ou seja, involuir é voltar para algum lugar ou situação.

Diante desses conceitos, há quem escolha conscientemente o caminho da involução, ou seja, voltar o tempo todo para o mesmo ponto de que partiu, sem mudar nada, sem progredir em nada. Isso se dá provavelmente porque aprendemos todos os dias que não é esperado para nós a perfeição. Como se diz por aí, a perfeição não é deste mundo, ou, o ser humano não é perfeito. Além disso, como involuir, no final das contas, é voltar, mentalmente podemos apreciar a involução, que é a volta para o lugar de onde se veio nesta vida que experimentamos, ou seja, nossa casa, nossa família, nossas coisas. Isso, comumente, é muito bom. É aconchegante voltar. Representa estar em ambiente conhecido, e a mudança nos apavora. Parece lógico que tenhamos a tendência de escolher com mais frequência caminhos que nos façam involuir e não o contrário.

Muitas das escolhas que nos fazem involuir são mais fáceis, mais simples, mais gostosas até. De modo contrário, dar um passo em direção de uma resolução como parar de fumar ou comer coisas que nos fazem mal, é muitas vezes dificílimo. Soma-se a esse pensamento outros grandes campeões de audiência como a vida é curta, precisamos aproveitá-la, ou, o melhor mesmo é ligar o F@&#-se… e, pronto: temos o caminho da involução, logicamente, escolhido com mais frequência.

Vale ressaltar, caso haja dúvida, que evoluir é algo bom. Do ponto de vista de um ser vivente isso fica mais claro ainda, mas, posso dizer que o progresso, a evolução, são bons. Um punhal, um bisturi, até uma bomba atômica e um pensamento de raiva, podem não ser ruins em si. Ruim é o que se pode fazer com cada um deles. O progresso nos ajuda e queremos evolução. Quem gostaria de comprar um smartphone que foi lançado em 1990? Quem escolheria um estudante primeiranista de medicina para realizar uma cirurgia cardíaca em um ente querido? Queremos os melhores aparelhos tecnológicos, os melhores especialistas, os melhores serviços, escolas, trabalhos, os melhores parceiros para namorar e casar, queremos o melhor para os nossos filhos, queremos até que eles sejam os melhores… Por que não buscamos também o melhor que podemos ser? O melhor de nós?

Talvez a resposta mais simples seja: nós não temos a mínima ideia de que estamos escolhendo a involução com maior frequência. E também não temos a mínima ideia da engrenagem disso tudo. Como diz uma professora que aprecio muito, nossa vida é embrulhada para presente por nós. Com ideias prontas, achismos e padrões estabelecidos, formamos um pacote fechado de crenças, costumes, e pensamentos que tomamos como valores, e desfazer o embrulho é inadmissível, dá trabalho, e geralmente temos outras coisas mais importantes para fazer… Além disso, é muito conveniente e protetivo pensar que estamos sempre corretos em nossas escolhas. Errados são todos os outros. Nosso cérebro nos ajuda nisso, inclusive. Optamos pelo conforto do que já conhecemos em detrimento do que é desconhecido, mesmo quando sabemos que o que conhecemos nos causa dor. Queremos muitas vezes que nossos filhos percorram os mesmos caminhos que nós, mesmo sabendo que erramos, porque sofremos, mas sobrevivemos, ou preferimos fazer o que todo mundo faz, afinal a multidão não pode estar toda errada. Pode sim. Muitas multidões já se mostraram bem erradas…

Enfim, vivemos no automático. E isso não é por mal, tem a ver com instinto de sobrevivência. Grande parte do que somos, biologicamente falando, acontece automaticamente. Não precisamos decidir quantas vezes respiramos, quantos batimentos cardíacos teremos no dia, ou se os aminoácidos estão fazendo o que devem fazer para nos manter vivos. Isso tudo é automático para nós e temos pouquíssima consciência ou interferência. Nosso organismo opera em regime de fino aproveitamento de energia e recursos, com um cérebro que escolhe caminhos mais fáceis sempre que possível. Mas isso não precisa ser replicado em nossas ações no dia a dia. Para replicar isso teríamos que ter uma conduta altamente interligada com todos os outros seres deste mundo pois é assim que nossas células trabalham para que nosso corpo seja tão eficiente.

A evolução da espécie humana ocorreu de maneira admirável, considerando que toda a vida evoluiu de um organismo unicelular. Mas, não somos só (como se fosse pouco!) maravilhosos organismos materiais. O corpo humano está no topo da evolução biológica, comparado com os primatas, por exemplo, porém, não me orgulho nada em dizer que uma das maiores diferenças entre nós e outras espécies é o fato de sermos os únicos que conseguimos sobrepujar, escravizar e controlar todas as outras, incluindo, muitas vezes, a nossa própria.

Há algo mais a se desenvolver em nós humanos, portanto, além do biológico. Há espaço para melhorias.

E acertar também é humano.

Filósofos e mestres de sabedoria que viveram neste mundo para generosamente disseminar a paz, a unidade, o real amor, ou seja, contribuir para o desenvolvimento humano, nos mostraram que há caminhos que podemos escolher para evoluir integralmente.

Uma grande dica é fazer um esforço para sair do automático e perceber o mundo a nossa volta. Para animais, plantas, seres da natureza que não têm nosso nível de consciência, evoluir pode ser considerado muito mais uma questão de instinto ou programação. O natural para a crisálida é se transformar em borboleta, muito porque há um código em seus genes que a impelem a isso. Para nós, HUMANOS, evoluir está bem além do instinto e da programação. É necessário que utilizemos de fato nossa INTELIGÊNCIA, nossa CONSCIÊNCIA — porções de nós que nos difere das outras espécies — para escolher o que é realmente bom para todo o mundo que nos cerca, incluindo nós mesmos. E a frase “errar é humano”, pode ganhar um complemento indispensável para a construção de uma vida integral: “… e acertar também é humano”.

Mas como saber que caminho seguir? Como identificamos o caminho da evolução?

Antes de qualquer coisa, é importante entender que não se pode deixar de escolher. Há que se escolher sempre. Procrastinar também é uma escolha. Embora pareça seguro, escolher fazer nada é apenas uma ilusão temporária que só trará dificuldades futuras. A árvore de possibilidades é vasta, escolher a evolução parece muito difícil, mas pensar sobre isso já nos coloca em probabilidade de acerto. Por outro lado, não pensar e viver ao sabor do acaso, no mínimo, nos coloca no banco de trás do veículo da nossa vida, guiado por alguma coisa ou alguém que não respeita nossas escolhas. Isso não é nada seguro.

Para escolher melhor talvez seja interessante pensar que todas as nossas ações causam reações. Todas, sim. Não se engane. Pode não ser tão rápido ou facilmente identificável, mas, obviamente haverá reações para toda ação que escolhermos na vida. Quando se joga uma pedra em um lago plácido, as ondas vão atingir todo o lago. Assim acontece com qualquer de nossas ações, afinal, tudo neste mundo está ligado. Acredite nisso.

Depois de realmente entender que toda a ação causa uma reação, vamos aos…

… Pontos interessantes para o desenvolvimento humano

A base

Para evoluir, desenvolver-se como ser humano, você precisa de um plano. Faça o seu. Nele inclua tudo o que for realmente evolução para você. Isto será a base para suas escolhas a partir de agora. Comece com uma lista de tudo o que você gostaria de alcançar para seu desenvolvimento humano. Para te ajudar a compor a lista, tente considerar no plano só coisas reais. Para isso é necessário entender o que é real e o que não é real. Você entende? Se não, aqui vai uma dica: tudo o que é real dura para sempre. Cheque sua lista e confira se todos os itens que colocou são reais.

Uma vez feito o plano e revisado com o que é real, você tem sua própria base para ajudar nas escolhas de seu caminho.

E para as escolhas, considere:

  1. Não se esqueça da responsabilidade que toda ação carrega. Como a pedra jogada no lago plácido, qualquer ação que façamos no dia a dia deve levar em conta que estamos em um sistema natural, interligado por todos os seres do planeta, assim, nossas escolhas não podem causar sofrimento de maneira alguma. Observe toda a cadeia envolvida e escolha bem;
  2. Não queira abraçar o mundo de uma só vez! A evolução não se dá em saltos e não é uma linha reta. Na verdade é um vórtice. Se dá em espiral, como que se voltasse de certa forma ao mesmo ponto com um pouco mais de progresso a cada volta. É como os astros em torno do Sol. Saiba que se nós neste momento só temos uma colher para pegar água, só pegaremos a água que cabe em uma colher. Quando estivermos mais estruturados, preparados e fortes para construir um recipiente maior para nossa sede, como um copo, por exemplo, poderemos ter mais água do que a que cabe em uma colher. A grande dificuldade para um caminho de evolução humana é perceber que estamos muito distantes do ideal. Por isso as frases de impacto como “errar é humano” soam tão bem às vezes. Cuidado com extremos, vá devagar, em pequenos pedaços, passo a passo, mas vá;
  3. Acompanhe seu plano sempre. Minimamente, uma vez por semana, ou diariamente, se possível reveja o que alcançou. Deixar para checar a agenda só no final do dia ou no fim da semana de trabalho pode não ser uma boa ideia. Fique alerta. Se no seu plano há, por exemplo, a intenção de ter mais paciência no trânsito, (algo muito difícil, eu sei), revise diariamente e se pergunte se conseguiu naquele dia lidar melhor com esse tremendo estresse que nos cerca em grandes cidades. Cada pequeno passo de sucesso em direção ao seu plano, será uma prazerosa recompensa;
  4. Nunca se esqueça dessa grande verdade: você tem tudo o que precisa para sua evolução. Você tem. Acredite. Está dentro de você. Uns a chamam de consciência, outros de inteligência. Há vários outros nomes também, mas o que importa é que temos. Precisamos exercitar, usar.

Tentei aqui motivar você a olhar um pouco mais além do seu dia a dia, criar uma base sólida para suas escolhas, ir além do automático, além das direções da massa, considerar que extremos não são as melhores escolhas, e, fundamentalmente, perceber que você realmente pode controlar algo em sua vida: quem você escolhe ser todos os dias.

Espero que sua vida seja linda e com muita luz.

Um abraço fraterno,

guida.ribeiro

Para compor este texto foram utilizados meus entendimentos pessoais sobre ensinamentos da Teosofia, disponível em vasta literatura da Editora Teosófica; ensinamentos de Filosofia à Maneira Clássica, disponível em várias palestras gratuitas do Canal Nova Acrópole no YouTube, e ensinamentos das Tradições do Budismo Theravada, disponível em Leituras do Budismo Theravada, acessoaoinsight.net.

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