Cipó

Abujamra em seu clássico programa Provocações perguntava aos entrevistados “o que é a vida?”. Sempre fazia essa pergunta duas vezes e deixava os convidados sem saber direito o que falar. Era divertido ouvir toda sorte de respostas.

Muita gente pensa sobre o que seria afinal essa coisa que chamamos de vida, inclusive, essa questão é registrada em escritos de mais de 2500 anos com os primeiros filósofos pré-socráticos, que tentavam muito entender a natureza e todas as coisas nela. Independente de haver registo, é claro que o ser humano se faz essa pergunta há muito mais tempo, porque essa curiosidade sobre a vida e todas as coisas que fazem parte dela é uma faceta da nossa natureza.

Tem quem a compare a um jogo. Tem quem defenda, inclusive, que efetivamente vivemos em um jogo, ou que o universo é um holograma.

A comparação com o jogo faz sentido se pensarmos que embora não haja regras ou instruções escritas do fabricante, temos aventuras, queremos atingir patamares, há “criaturas” que nos desafiam, ou atrapalham, e há outras que precisamos vencer. Há fases, há poderes que nos são dados no início e alguns mais difíceis de conseguir. Mas ninguém sabe muito bem o que vai ganhar no final. Nem sabem se há algo depois do final.

Tem os que julgam ser uma festa. E o imaginário vai desde festas infantis à “raves” que quase nunca acabam. Na linha mais educativa tem quem compare a vida a uma escola. Eu gosto dessa. E também tem a coisa da vida ser arte, mistério, mágica, fantasia, ou uma bola. Isso mesmo, uma simples bola, o que eu acho fabuloso!

Tem quem compare a vida à viagens. De trem, de avião, qualquer meio. Eu também gosto de pensar que a vida é uma viagem, mas para mim é uma viagem de cipó.

O cipó é um meio de transporte! E quem já viu na TV ou mesmo já voou em um, sabe que uma vez voando não tem como parar no meio da sua trajetória pendular. Essa é a ideia.

Deixando de lado todas as possíveis imagens que teríamos nesse exemplo do cipó, como estar numa selva, partir de uma árvore para outra, o vento, a chuva, animais querendo comer a gente, calor, frio, umidade relativa do ar… Tirando tudo isso da imagem, pense apenas na viagem de cipó.

Se você está lendo isto aqui é porque está viva, ou vivo, então já está em voo de cipó. Sua viagem já começou e você está em pleno voo. O que passou há um segundo, já passou. O que virá no próximo segundo ainda não chegou. Nenhum tempo desses você tem. Você também não tem status algum, não é nada além de um viajante de cipó. Não tem profissão, não tem situação alguma, não tem estado civil, não tem coisa alguma, nada nas mãos além do cipó. Você percebe que não controla nada além do que pensa, e o que faz com o que pensa? Veja, você não controla o que está lá embaixo, não controla o que está acima, não controla o vento, não controla o cipó, não controla o tempo, nada. Você só voa. Você não sabe exatamente e com certeza o que havia antes desse voo e não sabe como e onde ele vai parar. Nem quando. Você não tem filhos, não tem família, não tem amigos, não tem ninguém porque nada disso te pertence. Nada é realmente seu além do seu próprio pensamento e o que você faz com seu pensamento.

Quando eu imagino a vida feito um cipó, percebo que posso ser a pessoa mais livre do mundo, que posso ser ninguém, viver o agora e estar muito bem com isso deixando o cipó voar comigo.

Boa viagem,

guida.ribeiro

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